Estamos quase chegando ao final dessa incrível saga do piloto Ayrton Senna no automobilismo. Com a sua paixão pela velocidade, Senna nos proporcionou momentos de pura adrenalina, emoção e muito, muito orgulho. 

Esse é o último capítulo da trajetória do piloto – nós também gostaríamos que tivessem muito mais outros capítulos para contar…

Preparem os corações, pois iremos embarcar em mais uma viagem no tempo!

Sem mais delongas… 

Últimos anos de Ayrton Senna na McLaren

1991: Tricampeão Mundial!

Paramos na temporada de 1991, que havia sido muito marcante na vida do grande piloto. Naquele ano, Ayrton Senna havia sido consagrado com a sua primeira vitória em solo brasileiro!

Além disso, a corrida teve um final dramático com a perda de quase todas as marchas de seu carro, e acredite, ele ficou tão desgastado fisicamente que precisou de ajuda para sair do carro. Com certeza, esta corrida foi uma das mais lembradas de todas em sua carreira. 

“Só voltei à realidade quando vi a bandeirada. Aí senti um imenso prazer em viver, em estar em Interlagos, na minha terra e vendo a minha gente feliz. Não foi a maior vitória da minha vida, mas foi a mais sacrificada.” – Ayrton Senna

Você já deve ter visto esta cena icônica da última volta de Ayrton Senna, mas vale a pena dar um replay e relembrar esta emoção:

Foi dada a bandeirada final! 

A comunicação de rádio da equipe foi aberta na TV no exato momento em que Ayrton gritava, em parte pela emoção devido à vitória inédita como também pelas dores que sentia devido ao desgaste da corrida. Ainda na pista, em seguida à conquista inédita de Senna, os fiscais de pista comemoravam a vitória do brasileiro com pulos e abraços.

Devido ao grande número de pessoas correndo atrás do piloto, Ayrton Senna teve que ser escoltado por policiais até sua residência na Zona Norte de São Paulo. Com os ânimos acalmados, do muro de sua casa mesmo, Senna acenou para todos, com um símbolo de gratidão. 

1992: O título de herói

Após momentos incríveis em 1991, o próximo ano seria mais tranquilo. Neste ano, Senna chegou até pensar em correr na Fórmula Indy. Mas algo mudaria a partir daquele momento. 

Durante um treino no GP da Bélgica, o piloto francês Erik Comas bateu violentamente contra o muro e ficou desacordado, com seu carro parado no meio da pista. Ao passar pelo local segundos após o acidente, Senna parou sua McLaren e correu em direção à Ligier/Renault, que vazava combustível e estava prestes a explodir. Percebendo que Comas estava desacordado no cockpit, Senna desligou a ignição do carro do companheiro e evitou o risco de um incêndio.

Caso Ayrton Senna não tivesse parado ali, o pior poderia ter acontecido. Ayrton Senna sempre teve um coração incrível, e aquele momento apenas confirmou este fato.

1993: O seu último ano na McLaren 

Seu legado na McLaren havia chegado ao fim, e Ayrton demorou muito para decidir o que fazer em 1993. Acredite, ele chegou ao final do ano daquele mesmo ano sem ser contratado por nenhuma equipe. 

Ele sentiu que os carros da McLaren não seriam competitivos, especialmente depois que a Honda resolveu se retirar da F1 no final de 1992, e não poderia ir para a Williams enquanto Prost estivesse por lá, pois o contrato dele proibia a equipe de ter Senna como seu parceiro. 

Ron Dennis, chefe da McLaren, estava tentando garantir o fornecimento de motores Renault V10 para 1993. Com a recusa da Renault, a McLaren foi obrigada a pegar os motores Ford V8 como um cliente comum. 

Dessa forma, a McLaren recebeu versões de motores mais velhas do que os clientes preferenciais da Ford, como a Benetton, e tentou compensar essa deficiência de potência com mais tecnologia e sofisticação, inclusive um sistema efetivo de suspensão ativa. 

Dennis finalmente persuadiu Senna a voltar para a McLaren, mas o brasileiro concordou somente em assinar para a primeira corrida da temporada, na África do Sul, onde ele iria verificar se os carros da McLaren eram competitivos o bastante para lhe proporcionar uma boa temporada. 

Senna concluiu que esse novo carro tinha um surpreendente potencial, mas ainda estava abaixo da potência, e não seria páreo para a Williams-Renault de Prost. Senna decidiu não assinar por uma temporada e sim por cada corrida a ser disputada. Eventualmente ele poderia permanecer por um ano, apesar de algumas fontes afirmarem que isso foi mais um jogo de marketing entre Dennis e Senna.

Depois de terminar em segundo lugar na corrida de abertura da temporada na África do Sul, Senna ganhou os GPs do Brasil e da Europa, em Donington Park, na chuva. Esta última é frequentemente lembrada como “a corrida da volta perfeita” e como sendo uma de suas maiores vitórias na F1. 

Ele largou em quarto e caiu para quinto na primeira curva, mas já estava liderando antes de a primeira volta ser completada. Alguns pilotos precisaram de sete pit stops para trocar os pneus de chuva, dependendo das mudanças climáticas ao longo da corrida.

Bônus: Outra curiosidade sobre esta corrida é que ele cravou a volta mais rápida da prova passando por dentro do box (na época não tinha limite de velocidade para passar pelos boxes), sendo primeira e única vez na história da Fórmula 1 que isso aconteceu.

Eu sabia que por ali era mais rápido, eu fiz para experimentar. Quando me informaram que era a melhor volta da corrida, eu falei ‘OK, se o Prost passar à minha frente, eu vou passar ele por dentro do box’. Só isso!

Ayrton Senna

Depois do histórico GP da Europa de 93, Senna foi o 2º na Espanha e quebrou o recorde de seis vitórias em Mônaco, o que lhe fez jus ao antigo apelido de Graham Hill: “Mister Mônaco”. 

Depois de Mônaco, na sexta corrida da temporada, Senna liderou o campeonato à frente da Williams-Renault de Alain Prost e da Benetton de Michael Schumacher, apesar da inferioridade do equipamento da McLaren em relação às duas equipes.

A cada corrida, as Williams de Prost e Damon Hill mostravam superioridade, com Prost caminhando para o campeonato, enquanto Hill mantinha os segundos lugares. 

Senna concluiu a temporada e sua carreira na McLaren com cinco vitórias (Brasil, Europa, Mônaco, Japão e Austrália) e ficou com o vice na classificação geral. A penúltima corrida da temporada foi marcada por um incidente entre o estreante norte-irlandês Eddie Irvine e Senna, iniciado numa manobra do atrevido piloto. 

1994: A entrada de Ayrton Senna na Williams 

Lembram que no ano anterior Ayrton já havia tentado entrar para a Williams mas foi impedido por Prost? Então, em 1994 ele tentaria de novo, mas estava determinado.

Ayrton Senna se ofereceu para pilotar por nada, pois seu desejo era fazer parte da vencedora equipe Williams-Renault, mas foi impedido por uma cláusula no contrato do francês que impedia o brasileiro de entrar para a equipe (Ato declarado no Filme “Senna”). 

Porém, essa cláusula não se estenderia até 1994, o que fez Prost se retirar das corridas um ano antes de vencer seu contrato, preferindo isso a ter seu principal rival como companheiro de equipe. 

Em 1994, Senna finalmente assinou com a equipe Williams-Renault. Senna agora estava na equipe que havia ganho os dois campeonatos anteriores com um veículo muito superior aos demais. Prost, Senna e Damon Hill haviam ganho todas as corridas exceto uma, vencida por Michael Schumacher.

A pré-temporada de testes mostrou que o carro era rápido, mas difícil de dirigir. A FIA havia banido os sistemas eletrônicos, incluindo a suspensão ativa, o controle de tração e os freios ABS para fazer o esporte mais “humano”. A Williams não se mostrou um carro equilibrado no início da temporada. 

O próprio Senna fez várias declarações de que o carro era instável e desajeitado, indicando que o FW16, depois de perder a suspensão ativa, os ABS e o controle de tração, entre outras coisas, já não oferecia a mesma superioridade mostrada pelos FW15C e FW14B dos anos anteriores. Apesar de menor potência, a equipe Benetton pilotada por Schumacher apontou como maior rival.

A primeira corrida da temporada 1994 foi no Brasil, disputada em Interlagos, quando Senna fez a pole. Na corrida, Senna assumiu a ponta, mas Michael Schumacher com a Benetton tomou a liderança depois de passar Ayrton Senna nos boxes na volta 21. 

Senna, determinado a vencer no Brasil, perdeu o controle de sua Williams, rodou na curva da Junção, ficando parado na zebra e abandonando a prova na volta 55. Durante os treinos para o Grande Prêmio do Brasil, algo muito raro aconteceu quando Senna narrou sua própria volta a bordo da Williams em transmissão ao vivo pela TV Globo.

A segunda prova foi no GP do Pacífico, disputado em Aida, no Japão, onde Senna novamente ganhou a pole, porém envolveu-se numa colisão já na primeira curva. Ele foi tocado atrás por Mika Häkkinen e sua corrida acabou definitivamente quando a Ferrari de Nicola Larini também bateu na sua Williams. Gerhard Berger, da Ferrari, terminou em segundo enquanto Schumacher venceu novamente.

Luca Di Montezemolo, diretor da Ferrari, informou que Senna veio até ele na quinta-feira anterior à prova de Ímola e elogiou a Ferrari pela batalha contra os eletrônicos na F1. Senna disse também que gostaria de encerrar sua carreira correndo pela Ferrari.

A última corrida de sua vida

Senna como sempre estava muito feliz antes de uma corrida. Justo naquele dia, em 1 de Maio de 1994, seus olhos estavam sem brilho, como se soubesse que sua carreira acabaria naquele dia. 

Ao participar da terceira corrida da temporada, o GP de San Marino, em Ímola, Senna rapidamente fez a terceira melhor volta da corrida, seguido por Michael Schumacher. Senna iniciou a sua última volta na Fórmula 1. 

O piloto entrou na curva Tamburello (a mesma em que bateu Nelson Piquet com a Williams em 1987 e também onde bateu Berger com a Ferrari em 1989) e perdeu o controle do carro devido a uma barra de direção quebrada, seguindo reto e chocando-se violentamente contra o muro de concreto. A telemetria mostrou que Senna, ao notar o descontrole do carro, ainda conseguiu, nessa fração de segundo, reduzir a velocidade de cerca de 300 km/h (195 mph) para cerca de 200 km/h. 

Naquele momento o Brasil parou, o coração disparou de desespero e as lágrimas se formaram nos olhos de todos. Apesar de ninguém querer acreditar na cena que viam, todos já notaram que o pior havia acontecido…

Quando a equipe chegou na cena, perceberam a gravidade. Só puderam esperar a equipe médica chegar, que acabou demorando demais considerando a gravidade do acidente. 

Por um momento, a cabeça de Senna se mexia levemente, e o mundo que assistia pela TV imaginou que ele estivesse bem, apesar do alto e grave impacto.

Mas o que aconteceu na verdade foi que esse movimento havia sido causado por um profundo dano cerebral. Senna foi removido de seu carro pelo Professor Sid Watkins, neurocirurgião de renome mundial pertencente aos quadros da Comissão Médica e de Segurança da Fórmula 1, e chefe da equipe médica da corrida. Senna recebeu os primeiros socorros ainda na pista, ao lado do seu carro destruído antes de ser levado de helicóptero para o Hospital Maggiore de Bolonha, onde poucas horas depois, foi declarado morto.

Uma revelação impressionante de Sid Watkins sobre o acidente de Senna…

Sid Watkins, que nasceu em 1928 na cidade de Liverpool na Inglaterra, se formou em medicina em 1952, passando a atuar nas Forças Armadas do Reino Unido, dando apoio aos militares britânicos e seus familiares.

Em 1978, foi convidado pelo chefão da Fórmula 1, Bernie Ecclestone, para assumir o cargo de médico-chefe da categoria, onde permaneceu até 2005. Após sua aposentadoria, se manteve como consultor do Conselho de Segurança da FIA, até 2011.

Sua habilidade e competência foram decisivos para melhorar a segurança dos carros e das pistas, além de salvar a vida de muitos pilotos, entre eles: Didier Pironi, Nelson Piquet, Gerhard Berger, Martin Donnelly, Érik Comas, Rubens Barrichello, Karl Wendlinger, Mika Hakkinen, Michael Schumacher e Luciano Burti.

Mas o Professor Sid também teve que encarar de perto a morte de Ronnie Peterson, Gilles Villeneuve, Ricardo Paletti, Roland Ratzenberger e especialmente seu grande amigo Ayrton Senna.

Um dia antes do tricampeão brasileiro falecer, Watkins, vendo que ele estava muito abatido com a morte de Ratzenberger e o grave acidente de Barrichello, sugeriu ao piloto que largasse a F1 e que fossem pescar juntos. 

Mais tarde, o Professor fez uma revelação sobre o atendimento à Senna, na curva Tamburello: 

“Nós o tiramos do cockpit, tiramos seu capacete e entubamos. E eu percebi pelos seus sinais neurológicos, que era uma lesão letal à cabeça. Ele suspirou por um instante e seu corpo relaxou. E foi naquele momento…. e eu não sou religioso, eu pude sentir que seu espírito havia partido”.

A notícia mais temida pela nação brasileira…

A imagem de Ayrton apoiado na sua Williams, flagrado pelas tevês com o olhar distante e perdido, pouco antes do início do GP, ficaria marcada para sempre não só nos fãs do automobilismo, como no mundo inteiro. 

No Brasil, ficou muito difundida uma frase dita pelo jornalista Roberto Cabrini ao Plantão da Globo, boletim de notícias extraordinário da Rede Globo. Logo após a confirmação da morte de Ayrton, pelo hospital, Cabrini noticiou dizendo, por telefone: “Morreu Ayrton Senna da Silva…” – Uma notícia que ninguém nunca gostaria de dar. 

A temida curva Eau Rouge no circuito da Bélgica foi temporariamente readequada para a corrida de 1995. 

Três dias de luto oficial

A morte do piloto foi considerada, pelos brasileiros, como uma tragédia nacional e o governo brasileiro declarou três dias de luto oficial. 

O governo brasileiro também concedeu honras de chefe de Estado, com a característica salva de tiros. Entre o cortejo do caixão com o corpo do piloto desde o Aeroporto de Guarulhos até a Assembleia Legislativa, o velório, que durou aproximadamente 24 horas, e o cortejo final desde a Assembleia até o Cemitério do Morumbi, aproximadamente dois milhões de pessoas estiveram presentes.

Ayrton Senna, o nosso tricampeão e eterno herói brasileiro, com todo o seu profissionalismo e paixão pelo o que fazia, deixou as pistas fazendo o que ele mais amava… O piloto nos trouxe esperança, e muitas emoções em frente às telas de televisão. 

Naquele ano, o time brasileiro de futebol havia ganhado o seu Tetracampeonato, e toda a alegria acabou preenchendo, de certa forma, um pouco do vazio que Senna havia deixado nos corações brasileiros…

Até hoje a sua morte guarda grandes mistérios. Serão desvendados um dia? Não sabemos. 

Inclusive, há relatos impressionantes sobre a causa do acidente de Senna. Neste documentário é narrado a real causa do acidente de Ímola que levou a óbito o tricampeão mundial, segundo a tese da equipe Williams e da NAT Geo em 01/05/1994:

Apesar das lágrimas nos olhos, coração apertado e uma saudade que não conseguimos medir em palavras, é com muito respeito, admiração e orgulho que encerramos essa espetacular saga: A história de Ayrton Senna na Fórmula 1. 

Ayrton Senna da Silva (21/03/1960 – 01/05/1994)

#obrigadosenna

Para encerrar com chave de ouro esta saga, conheça mais sobre como surgiu a grande parceria da Sid Special Paint com o maior piloto da história do automobilismo: 

P.S: Você que é super fã de Ayrton Senna…

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