Mesmo 41 anos após sua última corrida na Fórmula 1, Emerson Fittipaldi segue como uma figura de destaque na categoria. O bicampeão está presente em boa parte dos GPs e mantém o legado de sua família no automobilismo como ‘professor’ de Pietro, Enzo e Emmo, os membros da ‘dinastia’ na Europa.

Porém, sua história de sucesso começou muito antes disso. Foi no circuito de Brands Hatch, GP da Grã-Bretanha, 18 de julho de 1970, há mais de 50 anos que Emerson Fittipaldi iniciava uma trajetória que mudaria a relação de todo um país com um esporte até então pouco conhecido no Brasil.

O paulistano de 23 anos fora correr na Europa no ano anterior, e pouco depois já estava tendo a chance de disputar sua primeira corrida na Fórmula 1, com o terceiro carro da poderosa Lotus, estreando no meio da temporada.

Mas a corrida da estreia em si não foi das mais memoráveis, mas naquela mesma temporada, no entanto, a vida dele mudou com o chamado para ser o primeiro piloto do Team Lotus depois da morte de Rindt, em Monza. 

Em sua primeira corrida no novo posto, Fittipaldi colocou o Brasil no lugar mais alto do pódio da F1 pela primeira vez na história. Mais do que isso, a partir da história que começou com ele, entre 1971 e 2017 o Brasil jamais deixaria de ter pilotos no grid, foi elevado a outro nível na modalidade e somaria oito títulos mundiais!

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Sucesso inexplicável

Retornando ao ano de 1970, estar ali no grid da Fórmula 1 naquele GP da Grã-Bretanha já era um sinal de que o chefe da Lotus, Colin Chapman, acreditava no jovem brasileiro: o terceiro carro da Lotus era usado para avaliar jovens pilotos, e isso costumava acontecer em eventos que não valiam para o campeonato, ao contrário daquele GP. 

Isso não foi por acaso: Emerson começou na Fórmula Ford na Inglaterra, e logo pulou para a F3, em que venceu nove corridas. Rapidamente foi para eventos da F2 até chegar à F1. Tudo isso em uma questão de meses.

A primeira vitória de Fittipaldi, em Watkins Glen, nos Estados Unidos, pouco menos de três meses depois da estreia, foi um grande marco na história do automobilismo nacional. Reginaldo Leme, na época ainda aspirante a jornalista esportivo, acompanhou de perto a carreira do astro.

Ele foi um dos entusiastas marcados pela vitória, e em entrevista, Reginaldo disse:

Eu estava saindo de uma sessão de cinema na rua Augusta (em São Paulo) com o pessoal dos Mutantes, já que meu irmão, o Dinho Leme, era baterista. Eu não trabalhava no domingo porque não tinha jornal na segunda. Depois do cinema, fomos comer um cachorro quente e ouvi no rádio: ‘Emerson Fittipaldi ganhou o GP dos Estados Unidos.’ Lembro de ter ficado impressionado com o que o cara estava fazendo!

Reginaldo Leme

O primeiro de uma Era 

O primeiro título do Brasil na Fórmula 1, marco para a história do automobilismo brasileiro, veio pelas mãos do grande piloto Emerson Fittipaldi, no Prêmio da Itália, em Monza, que aconteceu em 10 de setembro de 1972.

O prêmio é histórico, e sem dúvidas, muito emocionante por uma coleção de motivos, e o maior deles é o fato em si: o primeiro título de um piloto brasileiro na maior categoria do automobilismo mundial. 

Essa vitória em Monza abriu as portas para que os pilotos do país fossem notados, nos 20 anos que precederam a chegada de Emerson ao Mundial, em 1970, o país havia colocado apenas quatro pilotos na categoria: Chico Landi, Gino Bianco, Fritz D’Orey e Hermano da Silva Ramos. Durante e depois da passagem de Emerson, outros 25 brasileiros passaram pelo Mundial, estando presentes na categoria em todos os anos consecutivamente até 2017.

Não foi só a quantidade de pilotos que aumentou. A escalada numérica teve igual aumento na qualidade. Ainda em 1972, a Fórmula 1 já havia chegado ao mítico circuito de Interlagos, com seu traçado de 8 quilômetros e curvas de todos os tipos, que forjavam pilotos acostumados a quaisquer tipos de pistas ao redor do mundo.

Fittipaldi abriu caminho para outros pilotos brasileiros, que se tornaram ídolos no esporte, como Nelson Piquet e Ayrton Senna, e outras gerações de vencedores de corridas que passaram perto do título, como Rubens Barrichello e Felipe Massa.

Com a passagem do primeiro campeão brasileiro pela categoria, o Brasil contabilizou outras 86 vitórias, divididas entre Ayrton Senna, Nelson Piquet, Rubens Barrichello e Felipe Massa. Com os tricampeonatos de Senna e Piquet, o país chegou a 8 títulos!

Família de campeões

A história iniciada há 50 anos ainda poderá ter um novo capítulo também nas mãos dos Fittipaldi, com os netos de Emerson, Pietro e Enzo, e o filho Emmo. Todos já têm relação com times de Fórmula 1.

Pietro disputa competições de monopostos desde 2013. Antes disso, passou pelas divisões de acesso da Nascar nos EUA, onde foi campeão da Limited Late Model em 2011, aos 15 anos. Em 2014, foi campeão da F-Renault Britânica. Dois anos depois, conquistou o título da F3.5 V8, antiga World Series Renault. Em 2018, machucou as duas pernas em um acidente durante a classificação para as 6 Horas de Spa-Francochamps pelo Mundial de Endurance (WEC). Com isso, só pôde disputar uma corrida pela Super Fórmula (Japão) e seis pela Indy. 

No final de 2018, foi contratado como piloto de testes da equipe Haas na Fórmula 1. Atualmente, além de atuar como piloto de testes da Haas, Pietro também disputa o DTM (Deutsche Tourenwagen Masters) pela Audi.

Já o irmão Enzo tem 18 anos. Com apenas 15 anos, disputou o Campeonato Junior Ginetta. Em dezembro de 2016, juntou-se à Academia de Jovens Pilotos da Ferrari. Em 2017 e 2018 participou da Fórmula 4 Italiana pela equipe Prema, sagrando-se campeão da categoria no ano passado, com sete vitórias e 12 pódios. Também foi terceiro colocado na ADAC Fórmula 4 em 2018.  

Atualmente, Enzo disputa a Fórmula 3 Regional Europeia pela equipe Prema, com a qual já conquistou duas vitórias na temporada.

Mas essa história não estaria completa sem Wilson Fittipaldi, o Barão, que faleceu em 2013. Em uma história única na Fórmula 1, era ele quem narrava as primeiras corridas do filho, pela Rádio Jovem Pan em uma época na qual nenhuma TV dava tanta importância à modalidade.

Esse fato criou uma das mais épicas narrações do automobilismo, quando Barão narrou a primeira vitória de Emerson:

“O árbitro geral da competição, o diretor de prova, já com a bandeira quadriculada nas mãos. Aí vem o carro do líder. É o Brasil ganhando o Campeonato Mundial de Automobilismo pela primeira vez na história. É Emerson Fittipaldi, campeão mundial de automobilismo. Vai ingressar na reta de chegada. Atenção: aí vem o vencedor da competição! É o Brasil ganhando o Campeonato Mundial de Automobilismo! Venceu Emerson Fittipaldi! Venceu o Brasil, minha gente!”

Wilson Fittipaldi, vulgo Barão

🏁 Vamos relembrar um pouco das conquistas do campeão e seu legado no esporte?!

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2 thoughts on “Emerson Fittipaldi: o legado de um campeão

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